
Vou já dizer que gosto de
Rudebox, o último disco dele. Como também já gostara do anterior. A verdade é que se encontram sempre motivos de interesse nos discos de Robbie Williams pós-Take That (não é por acaso que ele cativou as colaborações de pessoas respeitáveis como os Pet Shop Boys, Stephen Duffy ou Neil Hannon, dos Divine Comedy, para os seus discos). Com
Rudebox está numa estranha terra de nenhures, porque o disco é demasiado estranho para os fãs mais mainstream de Robbie (isto ouvi eu da boca de uma jovem fã, na FNAC, que desabafou para a mãe: “Isto já é muito esquisito!”) e, ao mesmo tempo, ele ainda não tem suficiente credibilidade junto dos fãs da música alternativa (alguns ainda têm o preconceito contra o moço) para que ela se dedique a descobrir o valor que
Rudebox tem.

O que eu sei é que ele deve estar quase a ser excluído das listas de melhores cantigas de sempre da RFM: o rapaz está cada vez mais ácido no humor, arrojado na produção e na composição e quando cria uma cantiga mais calminha e aprazível como este She’s Madonna, enche-a de tal maneira de veneno e sátira, na letra, que ouvidos atentos perceberão que o artista pop de eleição das adolescentes tem um acentuadíssimo dark side.